25 de jun de 2011

Antes, agora e depois.

Qual o gosto da morte?... Que saudosismo nos aguarda no total escurecimento do ser?... Existe descanso se não há esforço? Existe melancolia sem a nostalgia? O que vêm depois do fim?... Seria como uma memória de um dia bom? Seria como um gosto distante? Seria como as figuras disformes de luz que ficam em nossa retina?... Mas como isso se daria depois do fim?

Como é sentir o que não se pode ser sentido? Como é o vazio que não pode ser tocado? Como é a ideia que não pode ser concebida? Como se vê quando não se pode ver? Como é o onde onde até o escuro não existe? Como é não ter depois? Quando o tempo se torna nulo - como é dormir sem sonhar nem acordar? Qual o gosto do fim? Seria ele o oposto do gosto do começo? Mas eu não lembro do gosto do começo... Lembrar... 

O que se tem no fim? O que se espera na falta do recomeço? O que se perde quando não se ganha? O que se ganha que não se pode gastar? Descanso? Paz? Como vamos poder saber de algo que não conseguimos lembrar? O esquecer tem cor? O esquecer pode ser lembrado? Existe sabor no que não se pode mais saber?

Quando se amou, você consegue lembrar de como foi. Mas e se você não puder lembrar de como foi, você terá algum dia amado? Pode-se sentir algo pela primeira vez uma segunda hora? Se você esquecer do desabrochar de uma linda flor, todo desabrochar será o primeiro?

Se você aprende algo que já sabia mas esqueceu, você aprende de novo ou aprende o novo? Se não houver alguém para avisar do segundo tropeço, ele será o primeiro ou será redundante? Se você esquecer do mundo, o mundo será novo? Será ele seu? Será ele mentira? 

Podemos nos arrepender do que não sabemos? Podemos ser culpados pelo que não havia o que ser feito? Podemos viver se nos esquecermos? Podemos viver se esquecermos? Podemos esquecer se vivermos? Podemos esquecer de viver? Podemos viver esquecendo? Podemos viver do esquecer? Podemos nos emocionar com uma música repetidas vezes? Podemos nos contrariar? Podemos correr para o começo? Podemos?...

Como recomeçar onde o começo já se foi? Como recomeçar quando não há voltas? Como recomeçar depois do fim? Como colecionar fragmentos sem fim? Como repor o que não existe? Como prosseguir sem próximo? Como ler sem linhas? Como virar sem páginas? Como entender sem prólogo? Como se ludibriar sem capítulo? Como se expressa o vazio? Como se expressa o inexplicável? Como se explica o não conceito? Como se descreve o amorfo? Como se respeita o abuso? Como se pode perdoar a malícia?  Como se pode entender a intenção? Como se explica o ambíguo? Como se justifica o injusto? Como se expressa o erro? Como se completa o ininterrupto? Como se fecha o ciclo? Como se ajuda o tumor? Como se repara a ação? Como se muda o ato? Como se pára o que já se foi? Como se volta o que terminou?

Como se termina o que nem começou? Se escreve um fim... Mas e depois?

Nenhum comentário: