29 de out de 2010

From out of nowhere



From Out Of Nowhere

Tossed into my mind, stirring the calm
You splash me with beauty and pull me down
'Cause you come from out of nowhere
My glance turns to a stare

Obsession rules me, I'm yours from the start
I know you see me, our eyes interlock
'Cause you come from out of nowhere
My glance turns to a stare

One minute here and one minute there
Don't know if I'll laugh or cry
One minute here and one minute there
And then you wave goodbye

Sifting to the bottom, every day for two
All energy funnels, all becomes you
'Cause you come from out of nowhere
My glance turns to a stare

One minute here and one minute there
Don't know if I'll laugh or cry
One minute here and one minute there
And it hurts inside

One minute here and one minute there
And then you wave goodbye


From out of nowherere - Faith No More


27 de out de 2010

Nyx




"Lá também está a melancólica casa da Noite;
nuvens pálidas a envolvem na escuridão; Antes delas, Atlas se porta, ereto, e sobre sua cabeça, com seus braços incansáveis, sustenta firmemente o amplo céu, onde a Noite e o Dia cruzam um patamar de bronze e então aproximam-se um do outro."   
Hesíodo - Teogonia

Traz de presente o infortúnio de sua presença prolongada, horas de persistente monólogo. Já lhe disse que sou bom ouvinte e que teus segredos irão morrer em meus lábios, já lhe disse que sou bom ouvinte e que teus medos irão morrer em meus ouvidos, já lhe disse que sou bom ouvinte e que serei teu companheiro. Perca essa angústia de não me encontrar, de me perseguir. Eu estarei aqui quando sua irmã se for e sabes que, mesmo não sendo para ouvi-lá, estarei aqui - me obrigas a isso.

Poderia degustar de qualquer brinde mas insistes no brilho de meus olhos, pegue-os para vós pois me recuso a mantê-los meus por tamanho prolongado tempo. Me desculpe se não lhe olho no rosto enquanto falas mas procuro memórias que me escaparam entre os dedos, caíram pelo chão mas seria demasiado demorado procurá-las e estou preso neste inevitável diálogo. Nem cansado, muito menos motivado, trouxe novamente todas as histórias e nenhuma dela me faz querer ir, ir pra lá. Teu palácio é frio porém confortável, me acomodo bem e sinto que deveria prosseguir e tu me destes este presente que me mantém deste lado. Adorá-la tem seus privilégios e suas sinas: Nós não deveríamos estar conversando sobre este domo negro. 

Sei que ninguém lhe aprecia e que sob sua morada nasceram apenas pragas e desgraças. Sei que sob seu véu se escondem mistérios incompreendidos e sonhos. Sei que apenas um pouco de você nunca é o suficiente - e nunca será - e porém ninguém lhe quer tampouco em excesso. 

Agora que tudo está arruinado lhe faço companhia de boa vontade e não te ofendes? Sabe que não se trata de escolha ou de proposta: Estou contra minha vontade e não lhe escondo isso.
Agora que tudo está arruinado você acha graça.
Agora que tudo está arruinado.

Tudo que lhe peço é que cubra minha fronte com seu manto negro e me deixe fugir. Nos encontraremos em outros lugares e em outros tempos e retornarei sempre que puder. Sei que não fará isso, és egoísta e solitária e roubastes os brilhos de meus olhos para ti já que as sombras apagam os seus.

Está tudo bem, ao teu acaso, resguarda alguns e escraviza outros.
Prefiro escolher por conversar, uma mentira que nos faz amigos e não rivais.

25 de out de 2010

Selfish~

Todos nós temos uma música, um tema, um som, um sentimento que transborda e nos faz ter que expô-lo em algum lugar. Todos nós temos essa grandiosidade dentro de nossos pequenos corações e procuramos não nos sufocar com esses pensamentos. Todos nós buscamos nosso melhor em nosso pior, nossa esperança em nossa desgraça e nosso alívio em nossa dor... Pois as coisas positivas vêm em impulsos naturais e - são muito bem-vindas - não possuem a necessidade de apresentações formais. Não queremos moldar todo o mundo para nossa caminhada mas queremos que nosso mundo tenha nossa cara, nosso espírito, nosso estilo. Todos nós temos uma música, um tema, um som, um sentimento que nos faz parar e um que nos faz seguir adiante, que nos faz escrever, pintar, desenhar, pensar, sorrir, caminhar, correr... Nos expressar, nos iludir, nos esconder, nos libertar...

Todos nós temos um momento, um traçado, uma linha, um seguimento. Todos nós temos uma necessidade, um desejo, um sonho, uma fuga, um abrigo. Todos nós temos escapatória, soluções, desculpas, tolerâncias. Todos nós temos ambiguidade, indecisões, preocupações, ceticismos.

Todos nós temos amigos, dores, animais de estimação, móveis. Todos nós temos um mundo dentro de nós, todos nós já nascemos universo antes de sermos adultos. Todos nós fizemos promessas de não esquecer, de tentar, de desistir, de evitar. Todos nós já roubamos, já roubamos abraço, beijos, balas, carinho, xingamentos, ira. Todos nós cansamos, cansamos as pernas, os braços, o corpo e a mente.

Todos temos um eco, um sussurro, um segredo, um abismo. Todos nós temos um apoio, amigos, família, escudo. Todos nós temos chantagens, conversas, lutas, brigas. Todos nós amamos, odiamos, repudiamos, desencorajamos. Todos nós erramos, tentamos, acertamos, reclamamos. 

Todos nós persistimos,
Todos nós desistimos,
Todos nós ultrapassamos,
Todos nós detemos,
Todos nós tentamos,
Ninguém se importa.


O que faz você diferente de mim?
O que faz de mim diferente de você?
O que faz de todos outros?
O que faz do além fronteira?
O que faz do sonho metáfora?
O que faz da promessa garantia?
O que faz do tentar acordo?
O que faz da lágrima descaso?
O que faz do dia padrão?
O que faz das noite descanso?
O que faz do medo insônia?
O que faz do ninguém descaso?

Todos nós somos carne e ossos, coração e espírito.
Todos nós somos busca e satisfação.

Todos nós somos nós.
O que faz de você apenas você?
Todos nós somos tentativa...
Me diga o  que esperas,
se ninguém se importa .
Me diga contra que blasfemei,
se ninguém se importa.
Me diga  com que te importa,
se ninguém espera.
Se ninguém pára
Se todos correm

O que faz de fim começo?
O que faz de singular universo?

Eu, parte de muitos, parte do todo.
Todos, parte de ninguém, anonimato e descaso.


22 de out de 2010

Envelheço na cidade~




Todos temos uma trajetória, um legado, ele se baseia em heróis do passado, em músicas que gostamos ou em artistas que idolatramos; e todos nós vivemos por/nesse (esse) legado -  seja diretamente ou de um modo mais minucioso. Alguns estampam faixas e cartazes com feitos e datas e outros simplesmente comemoram em sua paz de espírito, da mesma forma que muitas pessoas cantam suas dores para o mundo enquanto outras sofrem em silêncio (altruísta/egoísta??). Os modos como cada um recebe um elogio, uma reprovação ou um convite refletem muito o que a pessoa vê por legado


Deixamos um rastro - apenas nosso - em nosso simples ato de viver, nosso suspiro, nossas lágrimas, nossos pesares e em nossas gargalhadas (muitas vezes mais de um ao mesmo tempo); esse rastro é como uma pequena pedra arremessada ao acaso em um lago, gesto singelo se visto que nesse lago existem milhões de ondas criadas por outras bilhões de pedras. Isso não muda em nada o valor do seu legado, cada legado tem sua própria importância e deixa seu próprio e único vestígio. Cada legado deixa sua marca, mesmo que confusa e distorcida pelas outras ondas da vida, e essa pegada é a marca de que fizemos nosso melhor, vivemos e sobrevivemos.

Esse lago de superfície cristalina está, às vezes, em conflito e - poucas vezes - em paz. São as guerras dos outros interferindo nas nossas, o cansaço, a decepção, as mentiras, as dores, as angústias... São todo um redemoinho de confusões e obstáculos enquanto afundamos dentro desse lago do viver. 

As vezes desistimos - não somos perfeitos. Afundamos lentamente saboreando cada parte dessa jornada, nos deixando ser abraçados pelo calmo véu do silêncio; ele nos conta estórias e nos faz dormir de modo gentil enquanto descemos para o desconhecido. As vezes nos enfurecemos e debatemos - não somos perfeitos - e engolimos em seco a fúria e a dor. Mas ninguém é perfeito e isso não é desculpa para não tentar. As recompensas vêm de esforços e - sim, é verdade -  o mundo não é um lugar muito bom só pelo fato das pessoas simplesmente ter isso como regra. Na verdade o mundo é feito das cores que escolhemos para ele. Pessimismo e otimismo são distorções - preconceituosas - do que é real.

Todos nós afundamos às vezes, gritamos às vezes, lamentamos às vezes - senão muitas vezes -  mas isso não pode diminuir o nosso legado, nossas conquistas e nossas qualidades. São nossos frutos, o símbolo do que somos, do que fizemos e do que sonhamos.

Um homem é aquilo que ele ama.

No decorrer de nosso trajeto, de nossa caminhada, nos confrontamos com escolhas difíceis: certo, errado, ética, orgulho, egoísmo, altruísmo... E todas essas escolhas geram confusões e definições erradas de quem nós somos. Somos o que amamos, o que pretendemos, aquilo pelo qual lutamos todo dia, pelo qual choramos, pelo qual sangramos e pelo - por que não ? - qual rimos também. Digamos que esse esforço seja um cabo de guerra, algo com valores, porcentagens... 50-50... E de uma ponta fique o egoísmo e na outra o altruísmo, vivemos sempre em conflito com esses dois lados sendo que os dois no extremo são prejudiciais para quem quer que seja. Temos que equilibrá-los, saber doar e saber cobrar. Temos que lembrar que mesmo pequeno, nossos atos, nossas ações, nossa vida e nossos costumes se refletem neste lago e moldam nosso destino. Ao sermos egoístas nos protegemos das guerras alheias e ao sermos altruístas tornamos este lago um lugar melhor de se viver -  e de certa forma estamos fazendo isso para o nosso bem, afinal todos queremos um lugar melhor para se viver e repousar as pernas cansadas, a mente gasta e os olhos enevoados -  e de outro modo ao sermos egoístas machucamos quem nos quer bem, nos fechamos para quem quer nos ajudar e ao sermos altruístas esquecemos de cobrar, esquecemos de nós mesmos e perdemos nossa singularidade - isso quando exagero. 

Quem me acompanha de longa data sabe que sempre quando posto alguma coisa sobre meu aniversário eu uso esta imagem de capa. Pra mim ela representa tudo o que a data simbólica de nosso aniversário significa: Seu esforço do viver, sua trajetória, seu legado lembrados em pequenos gestos, pequenas atitudes, em um recado, um beijo, um abraço ou um simples "oi". Pequenas coisas que nos faz seguir adiante, mais fortes, confiantes, com força e desejo para poder aguentar/viver mais alguns (tomara que muitos) anos que estão por vir. Porém temos que ter sabedoria de saber diferenciar quando o esforço é sincero ou quando se aproveitam da situação para serem avarentos.

Agradeço do fundo do coração as pessoas que lembraram desta data que significa muito mesmo. Eu desejo a elas o mesmo que me foi desejado, felicidades, sucesso, amizade, carinho, força. Agradeço aos recados por mensagens logo de manhã cedo, agradeço pelos telefonemas, pelos recados na internet - tanto por orkut como pelo msn e até algumas passadas rápidas pelo G-Talk - e pelos em pessoa. Agradeço às pessoas que saíram de seus afazeres só para dar um "oi" e -  não menos importante - às pessoas que estão com muitos afazeres e gostariam de estar por perto para conversar e rir, um abraço também para os conhecidos que não tenho muito contato porém, ainda sim, prestaram sua homenagem de forma sincera. Para todas as pessoas mencionadas e ainda para as que ainda irão me felicitar o meu singelo e humilde muito obrigado, mesmo.

Feliz aniversário
Envelheço na cidade
Feliz aniversário
Envelheço na cidade
Feliz aniversário
Envelheço na cidade~ *canta o pequeno gato segurando o pequeno bolo*



14 de out de 2010

Entardecer

Criatura enferrujada

Eu sou o entardecer

Guarde seus braços 

Eu sou o entardecer

O frio já vem

E mais tarde do que desejas

Eu sou o entardecer


Cultivas o tempo dentre seus dedos e em suas cicatrizes empoeiradas sem se importar. O frio virá - você previu isso - mas virá tarde, até lá terá de conversar com a paciência. Diálogo esse que resultará em desordem, sua frieza irá testá-la e logo o tédio virá buscá-la e levá-la para longe de ti, criatura enferrujada. Mesmo que não se importe sei o quanto te incomoda ser repouso para outras vidas, ser um peso de suporte ou escoro para desgraças que não lhe pertencem. Não se incomoda mais, apenas fita o chão - a variação da sombra e seu passeio de um lado à outro. Já cansou de contar as vezes que se importou, não? Já cansou de contar as vezes que espantou os corvos que insistem em pousar sobre seus ombros dourados e desgastos pela chuva, não? Já cansou de tentar se levantar para dar uma volta, não? Mesmo que tenhas cansado eu sei que os números lhe vêm à mente intrusos e penetras. Foras feito para isso e sei que não me olhas nos olhos por pela maldição que carregas, criatura enferrujada. Vim apenas por obrigação, mandaram-me para fazer o que previstes a longas eras. Eu sou o entardecer. Eu duro a eternidade. Entrarás no desespero antes que eu vá e o frio chegue, mas disso sabes também. Aguardar é sua sina, sua única saída e sua maior desgraça... Isso passará de forma lenta e árida. Você não ficará muito diferente após o entardecer, sua essência será a mesma. Sua garganta ficará mais seca e suas pernas mais fracas - após o entardecer.
Criatura enferrujada, serei eu alguém mau? 
Trazendo-lhe notícias e pesares de outros tempos. Trazendo ventos de outros lugares e suspiros de outras horas. Vim para compartilhar os últimos tempos, antes do frio. Sei que não se importa com isso, tampouco se importa com o todo, criatura enferrujada. Está a muitas eras sentada a escrever na areia suas dores e seus desejos, os corvos as lêem e cantam em desprezo e vós retribui com o silêncio. Pensar não é mais algo doce e sublime, seus sonhos já foram distorcidos pela angustia e seus pesadelos se dissiparam como um mal-estar passageiro. Já fizestes o que tinha de ser feito e isso não lhe tomou o tempo necessário, agora és inútil e estamos apenas no entardecer. 
Tantos se recusam a viver, tantos se recusam a ver. Tantos se recusam a morrer, tantos se recusam a ouvir. Tantos se recusam a dormir, tantos se recusam a sentir. Demasia não lhe atribui idéia alguma, não? 
Pegas uma pedra e arremessa na água, contas as ondas e as aguarda cessar por completo. Pegas uma pedra, mas as ondas são iguais. Pegas uma pedra e não se importa, os corvos cantam e todos morrem da mesma maneira. Pegas uma pedra e se inutiliza, transforma-a em areia, isso demora mas não tanto quanto gostaria, não? A areia lhe contara todos os segredos que tinhas para saber, a água lhe tirou todas as pedras que eram seu passa-tempo. 
A velha mentira já lhe tirara tudo, não? Veio e lhe tomou o que eras seu, não? Arrancou seus olhos de vidro para que não precisasse ver o que não queria. Desenhou um sorriso, grande e claro, em sua face de latão para que estivesse sempre alegre. Tirou os parafusos e porcas de seu tornozelo dizendo que não precisaria caminhar mais para tão longe. Condição. Agora terás de suportar o entardecer sentado e imóvel, podendo apenas caminhar alguns poucos passos, mas desististes disso, não? 
No começo gritastes em protesto, estou certo? Suas entranhas produzindo ruídos e sons para aliviar sua tristeza sem lágrimas. Não foras feito para isso, não estou certo? O novo lhe tirou partes importantes. Agora seu interior range em desarmonia. Antes você suspirava, não? Desabafava e cuspia ruídos incomodado. Agora que desististes de tentar está todo enferrujado e sons aleatórios soluçam em sua garganta. Tentastes controlá-los, não? Mas isso já faz muito tempo, criatura enferrujada. Agora a desgraça te abraça e leva parte de sua pintura, ela te acaricia como uma mãe cuida de seu filho predileto. Este é todo o carinho que terás no entardecer, após isso vem o frio.
O sol mergulha no mar derretendo-se no horizonte, separando-se em milhares de fagulhas vivas, dançarinas. Tudo é um só, dourado. Cenário, areia, pedras e você, criatura enferrujada, tudo um só. Eu sou o entardecer, vou mantê-lo aqui... Até que o frio chegue. Ele vai chegar, você sabe, mas irá demorar um pouco e, até lá, terás de se contentar com a areia em suas juntas e o gosto amargo da desgraça e do tédio.